Nikhil Sharma, uma figura sénior da BlackRock, está a argumentar que a tokenização desmantela fundamentalmente uma das restrições mais teimosas das finanças tradicionais: a escolha forçada entre ganhar rendimento e manter liquidez. Nos mercados convencionais, bloquear capital em instrumentos que geram rendimento — Títulos do Tesouro, fundos do mercado monetário, crédito privado — significa aceitar um acesso reduzido a esse capital. A tokenização, argumenta Sharma, colapsa essa troca ao colocar ativos que geram rendimento na blockchain, onde podem ser transferidos, usados como colateral ou resgatados em tempo quase real.
Por que isso é importante
A BlackRock não é uma voz periférica nesta conversa. A empresa gere mais de 10 trilhões de dólares em ativos e já lançou o BUIDL, o seu fundo do mercado monetário tokenizado na Ethereum, que ultrapassou os 500 milhões de dólares em ativos sob gestão poucos meses após o lançamento. Quando um executivo da BlackRock enquadra a tokenização como uma solução estrutural em vez de um ganho de eficiência incremental, os alocadores institucionais prestam atenção. A alegação é que a liquidação na blockchain e a lógica de ativos programáveis podem dar aos investidores o perfil de rendimento de um título com algo mais próximo do perfil de liquidez de uma stablecoin.
Impacto no mercado
O setor de ativos do mundo real (RWA) tokenizados tem sido um dos cantos de finanças on-chain de mais rápido crescimento em 2024-2025, com o valor total de Títulos do Tesouro e produtos do mercado monetário tokenizados a ultrapassar os 5 bilhões de dólares. A defesa contínua da BlackRock acelera a legitimidade institucional para os protocolos que estão a construir neste espaço. Os tokens ligados à infraestrutura RWA — e a Ethereum como a camada de liquidação preferida — estão em posição de beneficiar mais se o argumento de rendimento-liquidez ganhar tração mainstream entre os gestores de ativos.