O KBC, o maior grupo bancário-seguros da Bélgica, ativou a negociação regulada de Bitcoin e Ether para clientes de retalho através da sua corretora Bolero no início deste ano, tornando-se o mais recente grande credor europeu a integrar ativos digitais na sua plataforma de clientes já existente. O KBC junta-se à BBVA em Espanha, ao DZ Bank na Alemanha e à unidade Forge da Société Générale em França na oferta de cripto dentro de uma infraestrutura regulada de nível bancário, em vez de através de produtos autónomos.
Porquê é relevante
A mudança é arquitetónica, não promocional. Durante a maior parte da última década, os bancos que tocavam em ativos digitais faziam-no à distância, tratando-os como uma categoria separada que exigia uma stack operacional e de conformidade distinta. O Regulamento dos Mercados de Criptoativos (MiCA) unificou o mosaico europeu de regimes nacionais numa única moldura passaporteável, permitindo que um banco na Bélgica, Espanha, Alemanha ou França ofereça negociação de ativos digitais sob a mesma lógica regulatória que já aplicava aos títulos. A conversa dentro dessas instituições passou de «devemos criar um produto de ativos digitais?» para «devemos adicionar ativos digitais ao produto que já temos?».
Esta reformulação altera o mercado endereçável. Os bancos europeus servem, no seu conjunto, centenas de milhões de clientes de retalho que já detêm contas de corretagem, identidades verificadas e relações bancárias ativas — o que significa que os ativos digitais podem chegar a novos compradores através de canais que os bancos já controlam, sem que esses clientes tenham de se registar numa plataforma externa. A propriedade de ativos digitais na UE deverá atingir cerca de 25% até 2030, face aos 9% em 2024 e aos 4% em 2020.
Impacto no mercado
O padrão vai além da negociação. Depósitos tokenizados e integração de stablecoins estão a migrar para os rails de pagamento bancários, e a Bloomberg Intelligence estima que as stablecoins possam liquidar mais de 50 biliões de dólares em pagamentos anuais até 2030. Os bancos que constroem ou adquirem infraestrutura de ativos digitais estão a posicionar-se para capturar a próxima etapa da distribuição — primeiro na corretagem, depois nos pagamentos, custódia e produtos estruturados — enquanto os concorrentes ainda tratam os ativos digitais como uma linha de negócio adjacente.
Perguntas frequentes
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O que lançou concretamente o KBC para os investidores de retalho em cripto?
O KBC, o maior grupo bancário-seguros da Bélgica, ativou a negociação regulada de Bitcoin e Ether para clientes de retalho através da plataforma de corretagem autónoma Bolero no início deste ano, integrando os ativos no percurso de cliente já existente.
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Porque está a MiCA a mudar a forma como os bancos europeus abordam os ativos digitais?
A MiCA unificou o mosaico de regimes nacionais europeus de cripto numa única moldura passaporteável, permitindo que um banco ofereça negociação de ativos digitais sob a mesma lógica regulatória que já aplica aos títulos — transformando a questão de decidir se se cria um produto separado em decidir se se estende o…
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Que outros grandes bancos europeus entraram recentemente em cripto?
A BBVA entrou em operação em Espanha, o DZ Bank seguiu-se na Alemanha, a Société Générale construiu infraestrutura através da sua subsidiária Forge em França e a KBC na Bélgica — todos a disponibilizar ativos digitais dentro de stacks reguladas de nível bancário.
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Quanto poderá crescer a propriedade de ativos digitais na UE nos próximos anos?
A propriedade de ativos digitais na UE deverá atingir cerca de 25% até 2030, face a 9% em 2024 e 4% em 2020, com a distribuição conduzida pelos bancos apontada como um dos principais motores dessa expansão.
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O que significa a distribuição conduzida pelos bancos para o mercado cripto em geral?
Encaminha os ativos digitais através de centenas de milhões de relações bancárias e de corretagem já existentes, mantendo o cliente no banco em vez de numa exchange autónoma — e estendendo o mesmo padrão a depósitos tokenizados, pagamentos em stablecoin e custódia à escala de produção.
CoinDesk