O Departamento do Tesouro e o IRS estão a escrutinar uma estratégia fiscal que envolve ativos digitais e sociedades de investimento regulamentadas (RICs), que, em geral, têm de obter pelo menos 90% do rendimento bruto anual de fontes elegíveis para manter um tratamento fiscal favorável. A investigação surge após a distribuição conjunta de 7,22 mil milhões de dólares em Bitcoin e Ethereum em espécie por parte dos fundos IBIT e ETHA, da BlackRock, nos primeiros seis meses de 2026, embora os fundos não sejam acusados de recorrer à estratégia em análise.
Porque é importante
As entidades estão a analisar se algumas RICs podem excluir ganhos não realizados do teste de rendimento de 90% quando distribuem ativos digitais valorizados através de resgates em espécie. Ao abrigo da Secção 852(b)(6), os resgates elegíveis de ETF podem, em geral, transferir ativos valorizados sem que o fundo reconheça a mais-valia incorporada. O Tesouro mostra-se cético quanto à possibilidade de excluir esse ganho não reconhecido do cálculo da RIC, argumentando que esta interpretação poderia fazer com que o teste dependesse menos do rendimento económico subjacente do fundo.
O aviso pede informações, mas não proíbe esta prática nem estabelece uma nova regra. Os reguladores poderão emitir regulamentos, decisões ou outras orientações, potencialmente com efeitos retroativos quando a lei o permitir. O IRS afirma também que pode contestar uma estratégia abusiva ao abrigo da legislação em vigor antes da publicação de novas orientações.
Impacto no mercado
Até junho, a BlackRock distribuiu cerca de 5,49 mil milhões de dólares em Bitcoin em espécie através do IBIT, enquanto o ETHA distribuiu 1,72 mil milhões de dólares em Ethereum. O IBIT recebeu também cerca de 9,36 mil milhões de dólares através de subscrições em espécie. Estes valores ilustram a dimensão das transferências de cripto, mas não provam que qualquer um dos fundos esteja a recorrer à estratégia identificada pelo Tesouro. Ambos são tratados como fundos fiduciários do concedente, e não como RICs sujeitas ao teste de rendimento em causa.
O escrutínio gera, isso sim, incerteza para as RICs que procuram exposição a ativos digitais através de participações diretas ou de outras estruturas. Os gestores de fundos poderão ter de reavaliar os cabazes de resgate, documentar a sua finalidade económica e rever os pressupostos fiscais, à medida que a exposição a cripto se alarga a ETF multiativos e de gestão ativa.
Perguntas frequentes
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Que estratégia fiscal para ETF de cripto está o Tesouro a analisar?
O Tesouro está a analisar se algumas RICs podem excluir ganhos não realizados do teste de rendimento de 90% quando distribuem ativos digitais valorizados através de resgates em espécie.
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O aviso do IRS proíbe resgates de ETF de cripto em espécie?
Não. O aviso pede informações, mas não proíbe a prática nem estabelece uma nova regra.
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Porque não provam as transferências do IBIT e do ETHA que foi usada esta estratégia?
O IBIT e o ETHA são tratados como fundos fiduciários do concedente, não como RICs sujeitas ao teste de rendimento de 90% em causa no aviso. Os valores mostram a atividade de transferência, não o uso da estratégia sob escrutínio.
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Que montante de cripto distribuíram o IBIT e o ETHA em espécie até junho de 2026?
O IBIT distribuiu cerca de 5,49 mil milhões de dólares em Bitcoin e o ETHA distribuiu 1,72 mil milhões de dólares em Ethereum, num total conjunto de cerca de 7,22 mil milhões de dólares.
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Pode o IRS contestar a estratégia antes de publicar novas orientações?
Sim. O IRS afirma que pode contestar uma estratégia abusiva de fundos de investimento ao abrigo da legislação em vigor durante uma fiscalização, sem esperar por uma nova regra.