A Jefferies aconselhou os clientes a não comprar a queda da Circle depois de a ação ter recuperado 5% na quarta-feira, após uma queda de 17% na terça, alertando que a pressão competitiva sobre a quota de mercado e o crescimento da oferta do USDC dificilmente diminuirá. O banco de investimento apontou para o recém-lançado consórcio de stablecoins Open USD, apoiado por mais de 140 empresas, incluindo Stripe, Coinbase, Visa, Mastercard e BlackRock, como uma ameaça estrutural à trajetória de crescimento do USDC.
Porquê importa
A Circle obtém cerca de 95% das suas receitas a partir dos juros ganhos sobre as reservas do USDC, e a Jefferies assinalou novos riscos mesmo por parte do seu maior parceiro de distribuição. A Coinbase, que atualmente impulsiona uma grande parte da distribuição do USDC e cujo acordo comercial com a Circle deverá ser renovado em agosto, aderiu ao consórcio Open USD. A corretora não chegou a classificar isso como uma traição, mas alertou que a exchange poderá, a prazo, promover stablecoins concorrentes, pesando sobre o crescimento do USDC.
O consórcio Open USD planeia partilhar os rendimentos das reservas com as empresas participantes, um modelo que, segundo a Jefferies, poderá tornar a plataforma mais atrativa para os prestadores de serviços de pagamento do que a estrutura atual do USDC. Esse desenho de incentivos, mais do que qualquer novo interveniente isolado, é a parte da história que os otimistas da CRCL têm de subscrever ou descartar.
Impacto no mercado
O CEO da Circle, Jeremy Allaire, contestou com firmeza esta tese competitiva numa publicação extensa no X na quarta-feira, argumentando que as stablecoins são negócios de rede construídos ao longo de anos e que as integrações profundas do USDC em exchanges, DeFi e mercados regulados, incluindo a Europa e o Japão, são difíceis de replicar. Rejeitou igualmente a proposta de partilha de reservas, escrevendo que "ceder todo o rendimento é uma receita para fazer uma infraestrutura morrer à fome". Lorenzo Valente, da ARK Invest, reiterou esse cepticismo, comparando o modelo do consórcio a fracassos anteriores, incluindo o Diem da Meta e a Global Dollar Network liderada pela Paxos, e alertando que coordenar mais de 140 rivais pode revelar-se, na melhor das hipóteses, glaciar. A Circle (CRCL) fechou a subir 5% na sessão de quarta-feira, recuperando uma fração da queda de 17% de terça.
Perguntas frequentes
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Porque está a Jefferies pessimista quanto à Circle após a queda?
A Jefferies alertou que a pressão competitiva sobre o USDC dificilmente diminuirá, apontando o consórcio Open USD, apoiado pela Stripe, Coinbase, Visa, Mastercard e BlackRock, como um risco estrutural para o crescimento e a quota de mercado do USDC.
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O que é o consórcio de stablecoins Open USD?
O Open USD é uma rede de stablecoins apoiada por mais de 140 empresas, incluindo Stripe, Coinbase, Visa, Mastercard e BlackRock. Planeia partilhar os rendimentos das reservas com as empresas participantes para atrair prestadores de serviços de pagamento e fintechs.
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Que parte das receitas da Circle provém das reservas do USDC?
A Circle obtém cerca de 95% das suas receitas a partir dos juros ganhos sobre as reservas do USDC, o que torna o crescimento da oferta e a distribuição do USDC o principal motor dos resultados da empresa.
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Porque é que a participação da Coinbase no Open USD é um risco para a Circle?
A Coinbase é o maior parceiro de distribuição do USDC e o acordo comercial entre as duas empresas deverá ser renovado em agosto. A Jefferies alertou que a participação da Coinbase no Open USD poderá levá-la, com o tempo, a promover stablecoins concorrentes.
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Como reagiu o CEO da Circle à ameaça competitiva?
Jeremy Allaire argumentou no X que as stablecoins são negócios de rede construídos ao longo de anos e que as integrações e a pegada regulatória do USDC são difíceis de replicar. Contestou igualmente a proposta de partilha de reservas, escrevendo que ceder todo o rendimento é uma receita para fazer uma infraestrutura…
CoinDesk