A OranjeBTC, a maior empresa de tesouraria de bitcoin do Brasil, com 3.950 BTC (250 milhões de dólares) no seu balanço, está a preparar a listagem do Digital Yield ETF, ou DIGY11, na B3, com o início da negociação previsto para o início de setembro. O fundo vai alocar 95% da sua carteira em ações preferenciais STRC da Strategy e 5% na SATA da Strive Asset Management, cobrando uma taxa de gestão de 0,90% e cobrindo a exposição ao dólar através de contratos forward cambiais a um mês, renovados mensalmente. A OranjeBTC projeta distribuições anuais equivalentes à taxa interbancária CDI do Brasil, de 14,15%, mais 3 a 5 pontos percentuais, líquidas de um custo total estimado de 1,30%, embora os rendimentos não sejam garantidos.
Porquê importa
A leitura estrutural é a pilha de rendimento: STRC e SATA pagam atualmente 12,5% e 13,1%, respetivamente, em distribuições em dólares dos EUA, sobre a base CDI do Brasil de 14,15%. Ao cobrir a componente em dólar, a DIGY11 transforma um produto de rendimento em USD num veículo de rendimento real em BRL, sem expor os detentores a oscilações cambiais. Sam Callahan, Diretor de Estratégia e Investigação da OranjeBTC, enquadrou a estimativa como condicionada pelo diferencial de taxas de juros Brasil-EUA e pela estabilidade das distribuições das ações preferenciais.
O Brasil já tem um mercado profundo de criptofinanças. Os fundos e ETFs de cripto detinham 13,7 mil milhões de reais (2,6 mil milhões de dólares) junto de 576.000 investidores em abril de 2025, dando à DIGY11 um canal de distribuição de retalho e institucional que não existia para produtos comparáveis nos EUA.
Impacto no mercado
Produtos comparáveis foram lançados com pouca projeção fora dos EUA. O 21Shares Strategy Yield ETP nas bolsas europeias detém 17,6 milhões de dólares e reinveste as distribuições mensais em vez de pagá-las. O fundo diversificado de preferenciais PFXF da VanEck, de 2,44 mil milhões de dólares, detém cerca de 251 milhões de dólares em quatro títulos preferenciais da Strategy, o que equivale a aproximadamente 10% da sua carteira. A DIGY11 é estruturalmente diferente: paga mensalmente em BRL, posiciona-se como um ETF de produto único em vez de uma componente dentro de um fundo diversificado de preferenciais, e visa um piso explícito de taxa real. A 3R Investimentos vai gerir a carteira e a MarketVector vai manter o índice de referência.
Perguntas frequentes
-
O que é a DIGY11?
A DIGY11 é o Digital Yield ETF que a OranjeBTC pretende listar na bolsa B3 do Brasil, ancorado em 95% nas ações preferenciais STRC da Strategy e em 5% na SATA da Strive Asset Management.
-
Como é que a DIGY11 define o seu objetivo de rendimento?
A OranjeBTC projeta distribuições anuais equivalentes à taxa interbancária CDI do Brasil de 14,15% mais 3 a 5 pontos percentuais, líquidas de um custo total estimado de 1,30%, embora os rendimentos não sejam garantidos.
-
Como é que o fundo cobre a sua exposição ao dólar?
A DIGY11 vai renovar mensalmente forwards cambiais a um mês e rebalancear trimestralmente para neutralizar oscilações do par BRL/USD, de modo a que as distribuições sigam os pagamentos das ações preferenciais subjacentes.
-
Em que é que a DIGY11 difere de outros produtos STRC?
O 21Shares Strategy Yield ETP na Europa detém apenas STRC e reinveste os pagamentos mensais, enquanto a DIGY11 os distribui em BRL como um ETF de produto único que visa um piso de taxa real definido.
-
Quando começa a negociação da DIGY11 e quem a gere?
A OranjeBTC prevê o início da negociação para o início de setembro, com a 3R Investimentos a gerir a carteira e a MarketVector a manter o índice de referência.
CoinDesk