A Metaplanet, a empresa japonesa de tesouraria em Bitcoin, fechou na sexta-feira a sua 20.ª emissão de obrigações — ¥8 mil milhões (cerca de 50 milhões de dólares) em dívida sem juros, totalmente destinada a compras adicionais de Bitcoin. A EVO Fund, o investidor sedeado nas Ilhas Cayman que tem ancorado todas as ofertas anteriores, subscreveu na íntegra a mais recente tranche, conforme a empresa revelou num comunicado divulgado na sexta-feira. As obrigações têm juros zero, garantia zero e aval zero — uma estrutura invulgar que funciona como linha de crédito rolante: cada tranche é automaticamente resgatada à medida que a EVO exerce warrants de ações em rondas de financiamento subsequentes.
A angariação chega num momento em que a Metaplanet detém 40.177 BTC — cerca de 3,11 mil milhões de dólares ao preço atual de 77.800 dólares — tornando-a a terceira maior tesouraria cotada em Bitcoin a nível global, atrás da Strategy e da MARA Holdings. A acumulação tem sido agressiva: 5.075 BTC adicionados apenas no primeiro trimestre. Mas a estratégia teve um custo no exercício fiscal mais recente, com a empresa a reportar um prejuízo líquido de 619 milhões de dólares, provocado quase inteiramente por desvalorizações não realizadas em Bitcoin.
Por que razão isto importa
A estrutura sem juros ancorada na EVO é a verdadeira história, não o número do título. Ela deu à Metaplanet, na prática, uma via de emissão programática: enquanto a EVO continuar a subscrever, a empresa pode reciclar tranches de obrigações em BTC sem sobrecarregar o balanço com serviço de dívida convencional. É este mecanismo que explica a rapidez com que a Metaplanet tem conseguido aumentar a sua reserva, e que faz do objetivo de 100.000 BTC até final de 2026 algo mais do que uma aspiração — está inscrito na própria estrutura de financiamento.
O prejuízo do exercício fiscal de 2025 é o contraponto. Uma desvalorização não realizada não é uma perda de caixa, mas limita a capacidade da empresa de contrair dívida convencional e empurra-a ainda mais para dentro da estrutura convertível ao estilo EVO. Para os investidores, a aposta é simples: se o BTC recuperar e sustentar o nível dos 80.000 dólares, o mark-to-market da Metaplanet normaliza-se, o ciclo alimentado por warrants continua e as próximas tranches surgem de forma mecânica. Se o BTC recuar, a mesma estrutura deixa a empresa mais exposta do que um modelo sénior garantido ao estilo da Strategy.
Perguntas frequentes
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Quanto Bitcoin detém agora a Metaplanet?
A Metaplanet revelou deter 40.177 BTC no último comunicado, no valor de aproximadamente 3,11 mil milhões de dólares ao preço atual de 77.800 USD. Isso torna-a a terceira maior tesouraria cotada em Bitcoin a nível global, atrás da Strategy e da MARA Holdings.
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Quem subscreveu a mais recente emissão de obrigações da Metaplanet?
A EVO Fund, um investidor sedeado nas Ilhas Cayman, subscreveu na íntegra a tranche de ¥8 mil milhões (cerca de 50 milhões de dólares). A EVO tem ancorado todas as ofertas anteriores da Metaplanet, transformando a emissão numa via de crédito programática em vez de uma série de angariações pontuais.
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Quais são os termos das obrigações da Metaplanet?
As obrigações têm juros zero, garantia zero e aval zero. Cada tranche é resgatada automaticamente à medida que a EVO exerce warrants de ações em rondas de financiamento subsequentes, o que permite à Metaplanet reciclar emissões em compras adicionais de BTC sem serviço de dívida convencional.
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Porque é que a Metaplanet reportou um prejuízo de 619M USD no exercício de 2025?
O prejuízo líquido de 619 milhões de dólares foi provocado quase inteiramente por desvalorizações não realizadas em Bitcoin durante um período de queda. Perdas não realizadas não são perdas de caixa, mas limitam a capacidade da empresa de contrair dívida convencional e empurram-na ainda mais para a estrutura…
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Qual é o objetivo de acumulação de Bitcoin da Metaplanet?
A Metaplanet tem como meta os 100.000 BTC até final de 2026. A empresa adicionou 5.075 BTC apenas no primeiro trimestre, e a estrutura de financiamento ancorada na EVO foi concebida para continuar a reciclar tranches de obrigações em BTC, mesmo em períodos de volatilidade de curto prazo.