Andre Cronje, fundador da Yearn Finance e agora CEO da Flying Tulip, argumenta que a descentralização foi o ponto de partida do DeFi, mas já não é um modelo operacional completo para a maioria dos protocolos. Em um post de convidado no CryptoSlate, Cronje afirma que a indústria precisa de uma linguagem mais precisa: finanças onchain, onde os protocolos se comportam como empresas operacionais com divulgação, governança e segurança de infraestrutura, em vez de código puramente sem confiança. O próprio design da Flying Tulip serve como seu exemplo prático, com contas de margem baseadas em equity, circuit breakers em múltiplas camadas e um processo de liquidação baseado em RFQ.
Por que isso é importante
Cronje é uma figura estrutural no DeFi: a Yearn foi lançada em 2020 sem alocação de equipe, sem fundação e sem pré-mineração, e o protocolo original funcionou inteiramente onchain, exceto pelo nome de domínio. Seu argumento de que o modelo de confiança de 2020, onde o contrato inteligente era o único contraparte, já não se adequa aos protocolos modernos reflete uma mudança em toda a indústria. Cofres curados, instalações de crédito offchain, RWAs onchain não liquidáveis e IOUs agora estão por trás de muitos produtos. A perspectiva de Cronje é que esses produtos ainda podem ser sólidos, mas o risco surge sempre que a apresentação de um produto não corresponde ao seu modelo real de confiança e contraparte.
Impacto no mercado
O design do ftUSD da Flying Tulip ilustra o novo padrão operacional. O sistema aceita depósitos de USDC e USDT como colateral, empresta ETH contra eles, troca o ETH emprestado por ETH em stake e publica o ETH em stake como colateral adicional. Sob parâmetros modelados, pode suportar até aproximadamente oito vezes de alavancagem; o protocolo está operando atualmente em cerca de 1.5x, deliberadamente abaixo da capacidade. O ETH em stake ganha cerca de 2.4% em comparação com cerca de 2.1% de custos de empréstimo de ETH, contribuindo com aproximadamente 0.3 pontos percentuais de carry por rodada, com o lado da stablecoin adicionando mais 3.2% a 4%. Os saques entram em uma fila de seis horas através de circuit breakers em camadas; as funções de movimentação de dinheiro estão atrás de um timelock e multisig, enquanto os controles de pausa e atraso estão deliberadamente separados para que permaneçam funcionais em emergências. As liquidações são feitas através de um RFQ; durante o estresse recente do mercado, quase toda a dívida liquidável foi paga dólar por dólar sem perda.
Perguntas frequentes
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O que Andre Cronje quer dizer com finanças onchain?
Cronje argumenta que o rótulo deve refletir como os protocolos modernos realmente operam: como empresas que gerenciam infraestrutura financeira onchain, com equipes, taxas, divulgação, governança e segurança de infraestrutura, em vez de contratos inteligentes puramente sem confiança.
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Por que Cronje defende a atualizabilidade em vez da imutabilidade?
Em sistemas financeiros complexos que devem responder a mercados, integrações e ameaças em mudança, a imutabilidade pode se tornar uma limitação. O trade-off é que a atualizabilidade cria uma grande superfície de ameaça, que Cronje diz que deve ser acompanhada por governança e controles de segurança adequados.
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Como o modelo de margem baseado em equity da Flying Tulip difere de um modelo LTV?
Um modelo LTV não pode neutralizar completamente o delta, deixando um requisito residual de balanço mesmo quando a exposição ao preço é protegida. As contas de equity avaliam o equity real, incluindo P&L e posições compensatórias, permitindo que o sistema reconheça 100 contra 100.
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Como funciona o sistema de circuit breakers da Flying Tulip?
Os saques entram em uma fila e se tornam reclamáveis seis horas depois. As funções de movimentação de dinheiro estão atrás de um timelock e multisig, enquanto os controles de pausa e atraso estão deliberadamente separados para que possam agir em emergências sem esperar pela mesma demora.
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Por que Cronje diz que auditorias não são uma estratégia de segurança suficiente?
Cronje argumenta que as auditorias continuam sendo necessárias, mas são apenas uma camada. A segurança da infraestrutura, gestão de chaves, circuit breakers e monitoramento de fluxo em tempo real têm peso que as auditorias sozinhas não podem abordar, dado as repetidas perdas de oito dígitos em toda a indústria.