Denis Beau, vice-governador do Banque de France, disse à CoinDesk na terça-feira que a Europa precisa de uma «mobilização de todos os intervenientes europeus relevantes, públicos e privados» para desenvolver dinheiro tokenizado em euros — um contraponto direto à presidente do BCE, Christine Lagarde, que na semana passada considerou o argumento a favor de stablecoins denominadas em euros «muito mais fraco do que parece».
O confronto surge numa altura em que os tokens indexados ao dólar representam cerca de 98% do mercado global de stablecoins, um pool de $310B dominado pelo USDT da Tether e pelo USDC da Circle. A posição de Beau alinha-se com a Qivalis, um consórcio de 12 bancos europeus, entre os quais ING, BBVA e BNP Paribas, que planeia lançar um euro digital privado ainda este ano. Lagarde continua a favorecer um euro digital de banco central com lançamento previsto para cerca de 2029.
Porque é que isto importa
O desacordo não é abstrato — é uma disputa sobre o aspeto da liquidação em euros numa economia tokenizada. Sem um euro líquido on-chain, alertou o CEO da Qivalis, Jan-Oliver Sell, «a única alternativa é o dólar norte-americano», um caminho que os decisores políticos europeus descrevem cada vez mais como «dolarização digital» e que poderá corroer a soberania monetária do bloco. Lagarde concorda que a ameaça é real e que o USDT e o USDC colocam riscos de estabilidade financeira, mas argumenta que as stablecoins «não conferem a finalidade incondicional que o dinheiro central confere». Beau responde que os esforços públicos e privados «se devem complementar e apoiar mutuamente».
Impacto no mercado
A formulação de Beau dá cobertura política aos bancos privados europeus para avançarem mais depressa do que o calendário de 2029 da CBDC. O Eurosistema já está a disponibilizar infraestrutura — um serviço grossista de dinheiro do banco central em formato tokenizado, incluindo projetos como o Pontes, que entra em funcionamento até ao final do ano — mas a lacuna do euro on-chain é o que Beau e a Qivalis querem colmatar agora. Fique atento aos sinais regulatórios ao abrigo da MiCA e à possibilidade de outros vice-governadores de bancos centrais da zona euro se desviarem da posição oficial como Beau acabou de fazer.
Perguntas frequentes
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Quem é Denis Beau e por que razão a sua posição sobre um euro digital privado é relevante?
Beau é o vice-governador do Banque de France. O seu apoio público a um euro tokenizado público-privado dá cobertura política aos bancos europeus para impulsionarem stablecoins em euros mais depressa do que o calendário da CBDC do BCE, previsto para 2029.
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Em que difere a posição de Beau da da presidente do BCE, Christine Lagarde?
Beau defende uma mobilização imediata do setor privado em conjunto com o dinheiro do banco central, alinhada com o consórcio bancário Qivalis. Lagarde afirmou publicamente que o argumento a favor de stablecoins denominadas em euros é «muito mais fraco do que parece» e prefere um euro digital de banco central até 2029.
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O que é a Qivalis e que bancos estão envolvidos?
A Qivalis é um consórcio de 12 grandes bancos europeus — incluindo ING, BBVA e BNP Paribas — que planeia lançar um euro digital privado ainda este ano. O CEO Jan-Oliver Sell alertou que, sem um euro líquido on-chain, o capital fluirá para ativos indexados ao dólar.
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Quão dominantes são as stablecoins indexadas ao dólar no mercado global?
Os tokens indexados ao dólar representam cerca de 98% do mercado global de stablecoins — um pool de $310 mil milhões liderado pelo USDT da Tether e pelo USDC da Circle. Os decisores políticos europeus enquadram esta dominação como «dolarização digital».
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O que está o Eurosistema a fazer quanto a dinheiro do banco central tokenizado entretanto?
Beau afirmou que um serviço grossista de dinheiro do banco central em formato tokenizado, incluindo projetos como o Pontes, ficará disponível até ao final deste ano — dando aos bancos privados uma infraestrutura de liquidação para se ligarem enquanto o debate político sobre uma stablecoin em euros prossegue.
CoinDesk