Um respondente sob pseudónimo, chamado John Doe 33, entregou um aviso de comparência a 30 de junho no Tribunal Supremo de Nova Iorque, inserindo uma pessoa real num processo que até aí decorria contra endereços silenciosos da blockchain. A ação foi instaurada pela ABC Company, pela XYZ Company e por um autor que atua como Noah Doe, que pedem o reconhecimento da propriedade sobre cerca de 3,799 milhões de Bitcoin associados a 39 069 endereços inativos, um conjunto avaliado em mais de $200 mil milhões aos preços atuais, embora os autores o aleguem como $10 para efeitos de jurisdição. As carteiras visadas incluem moedas amplamente atribuídas a Satoshi Nakamoto e a outros mineradores iniciais. Na sua peça processual, John Doe 33 identifica-se como uma pessoa singular com direitos de propriedade constitucionalmente protegidos, declarando explicitamente que não é um endereço Bitcoin, nem uma carteira digital, nem uma linha de código-fonte, nem qualquer outra forma de dados inanimados. Reserva ainda todas as defesas e pede ao tribunal autorização para prosseguir sob pseudónimo, a fim de evitar exposição pública, extorsão e ameaças físicas.
Porque é relevante
O processo pede a um tribunal de Nova Iorque que trate carteiras Bitcoin há muito inativas como propriedade pessoal abandonada e transfira o título para os autores, uma teoria construída com base no pressuposto de que inatividade equivale a renúncia. A peça de John Doe 33 reformula a disputa, deixando de ser um braço de ferro processual sobre endereços silenciosos para passar a ser uma questão constitucional sobre se uma pessoa com eventuais direitos sobre esses ativos pode ser reduzida a uma entrada numerada na legenda de um processo. Alex Thorn, responsável pela investigação na Galaxy Digital, descreveu o desenvolvimento como uma mudança relevante, assinalando que uma pessoa real está agora a enfrentar Noah Doe na qualidade de respondente, em vez de se limitar a apresentar memoriais de amicus curiae. O caso tem também suscitado resistência jurídica organizada, incluindo um memorial de amicus curiae apresentado no final de maio pelo advogado pró-Bitcoin Ian Cohen, que defende que o artigo 7-B da lei de Nova Iorque sobre objetos perdidos foi pensado para objetos físicos encontrados por pessoas, e não para leituras computacionais de um livro-razão público.
Impacto no mercado
A teoria jurídica já está a ressentir-se ao confrontar-se com a realidade na cadeia.
Perguntas frequentes
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Quem é John Doe 33 no processo sobre o Bitcoin de Satoshi?
John Doe 33 é um respondente sob pseudónimo que entregou um aviso de comparência no Tribunal Supremo de Nova Iorque a 30 de junho, identificando-se como uma pessoa singular com direitos de propriedade constitucionalmente protegidos. Contesta a tentativa dos autores de obter o título sobre cerca de 3,799 milhões de…
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Quanto Bitcoin está em causa no processo de Nova Iorque sobre objetos perdidos?
O processo pede o reconhecimento da propriedade sobre cerca de 3,799 milhões de Bitcoin associados a 39 069 endereços inativos, avaliados em mais de $200 mil milhões aos preços atuais, embora os autores aleguem o pedido como $10 por motivos estatutários e de jurisdição.
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As moedas de Satoshi Nakamoto fazem parte do processo sobre o Bitcoin dormente?
Sim. As carteiras visadas incluem moedas amplamente atribuídas a Satoshi Nakamoto e a outros mineradores iniciais de Bitcoin, o que faz deste caso um teste direto sobre se moedas há muito inativas associadas ao criador do Bitcoin podem ser reclamadas como propriedade abandonada.
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Porque é que alguns dos endereços Bitcoin nomeados se moveram antes da comparência em tribunal?
Cerca de 52 dos endereços nomeados na queixa transferiram aproximadamente 34 335 Bitcoin, mais de $2 mil milhões às valorações atuais, muito antes de John Doe 33 ter comparecido. As transferências enfraquecem a teoria dos autores de que inatividade prolongada equivale a abandono, já que a custódia a frio, chaves…
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O que acontece a seguir no processo de propriedade sobre o Bitcoin dormente?
O caso vai girar em torno de duas questões: se o tribunal autoriza John Doe 33 a prosseguir sob pseudónimo, e se a sua moção de rejeição consegue travar o pedido antes de qualquer decisão sobre o título das carteiras. Qualquer um dos desfechos pode criar precedente sobre como o direito de propriedade dos EUA trata…