O Conselho Consultivo Independente de Computação Quântica e Blockchain da Coinbase afirmou na quinta-feira que cerca de 7 milhões de bitcoin estão em endereços expostos a um futuro ataque quântico, e que a maior parte dessa exposição não corresponde a moedas perdidas da era Satoshi, mas sim a fundos ativos, incluindo cold wallets operados por exchanges conhecidas. O ponto sobre a exposição das exchanges é o destaque mais incisivo do relatório, porque coloca um risco estrutural sobre os maiores custodiantes do mercado, em vez de sobre carteiras que a rede já tinha classificado como inalcançáveis.
O conselho divide os 7 milhões em dois grupos. Cerca de 1,7 milhões de BTC estão distribuídos por aproximadamente 20.000 endereços legados pay-to-public-key (P2PK), nos quais a chave pública é visível onchain, deixando essas moedas diretamente vulneráveis a um ataque futuro. Assume-se que a maioria pertence ao criador pseudónimo do bitcoin ou a titulares há muito bloqueados fora das suas chaves. O segundo grupo está ligado à reutilização de endereços. Citando a empresa de segurança quântica Project Eleven, o relatório estima que cerca de 5 milhões de BTC estejam em risco por já terem as chaves públicas expostas, e indica que a maior parte dessas moedas pertence a utilizadores ativos — com valores elevados em cold wallets de exchanges conhecidas ou a mostrar atividade onchain recente. O relatório não identifica as exchanges.
Why it matters
O relatório enquadra o problema de governação, e não apenas a criptografia. Apresenta duas posições opostas: um prazo rígido que congele qualquer assinatura vulnerável à computação quântica (ECDSA, Schnorr) após uma data definida, ou uma abordagem permissiva que ative endereços pós-quânticos e deixe o risco com cada titular. Congelar as moedas vulneráveis protege os detentores de uma avalanche de oferta confiscada, incluindo qualquer reserva de grande dimensão que um ator sancionado como a Coreia do Norte pudesse capturar, mas equivale a uma expropriação ao nível do protocolo e rompe com o ethos de direitos de propriedade do bitcoin. A abordagem permissiva preserva a propriedade, mas não tem forma fiável de distinguir um titular negligente de alguém que está preso, faleceu ou ficou temporariamente sem acesso. O conselho recusou apoiar qualquer dos lados, limitando-se a afirmar que a migração e o debate de governação demorarão anos cada um e não podem esperar que um computador quântico criptograficamente relevante exista de facto.
Perguntas frequentes
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Quantos bitcoin é que o relatório quântico da Coinbase diz estarem em risco?
O relatório estima que cerca de 7 milhões de BTC estejam em endereços expostos a um futuro ataque quântico, divididos entre cerca de 1,7 milhões em endereços P2PK legados e aproximadamente 5 milhões ligados à reutilização de endereços, cujas chaves públicas já são visíveis onchain.
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Por que razão são especificamente assinaladas as cold wallets das exchanges?
Devido à reutilização de endereços, as chaves públicas dessas carteiras já estão reveladas onchain, colocando cerca de 5 milhões de BTC no segundo e maior grupo de exposição. O relatório não identifica as exchanges.
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A computação quântica representa de facto uma ameaça ao bitcoin hoje?
Não. O conselho consultivo sublinhou que nenhum computador quântico consegue hoje quebrar a criptografia da blockchain e que o calendário da ameaça continua incerto. O argumento é que a migração e o debate de governação demorarão anos a resolver.
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Qual é o debate de dois lados que o relatório apresenta?
Uma posição imporia um prazo após o qual assinaturas vulneráveis como ECDSA e Schnorr deixariam de ser aceites, congelando as moedas não migradas. A outra ativaria endereços pós-quânticos e deixaria o risco da migração com cada titular.
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Que soluções intermédias foram mencionadas no relatório?
Um teto "Hourglass" sobre a movimentação de moedas P2PK por bloco, o projeto de BIP-361 para um sunset faseado das assinaturas legadas com opção de prova de conhecimento zero resistente à computação quântica, e os PACTs originalmente propostos pelo investigador da Paradigm, Dan Robinson.
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