O banco central do Brasil vai proibir ativos virtuais, incluindo stablecoins, de liquidar uma etapa específica dos fluxos de pagamentos transfronteiriços a partir de 1 de outubro. A Resolução 561 obriga a liquidação entre prestadores de câmbio regulamentados e as suas contrapartes estrangeiras a passar por uma transação FX licenciada ou por uma conta qualificada de não residente em real, eliminando o atalho da stablecoin em que o modelo eFX se apoiava para obter vantagem de custo.
Porquê importa
As transferências internacionais individuais com ativos virtuais continuam permitidas no quadro regulamentar brasileiro, pelo que a medida não é uma proibição geral das stablecoins. Oscar Guillermo Farah Osorio, sócio fundador da Zanella & Farah, disse à CryptoSlate que a resolução fecha uma ambiguidade real deixada pela lei brasileira de ativos virtuais de 2022. Essa lei atribuía ao banco central a autoridade para decidir quais operações de cripto contam como atividade cambial, mas nunca foram publicadas regras específicas, deixando uma lacuna que alguns participantes do mercado aproveitaram em seu benefício. O modelo eFX agregado agrupa muitos pagamentos individuais, compensando saldos ao longo do dia antes de liquidar uma vez com a contraparte estrangeira, uma estrutura adequada a fluxos de alto volume e baixo valor, como subscrições de streaming, jogos online e comércio eletrónico.
Impacto no mercado
O custo prático recai onde a liquidação em stablecoins o evitava. Os prestadores de eFX ainda podem compensar e consolidar, mas a etapa final de liquidação percorre agora o sistema FX formal do Brasil, arrastando o imposto sobre transações financeiras do país mais as taxas de bancos correspondentes e da rede SWIFT. A autoridade fiscal do Brasil registou R$1,13 biliões em transações declaradas com stablecoins entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, cerca de 72% de toda a atividade cripto declarada nesse período, com a USDT a representar quase 89% desse total de stablecoins. Um estudo do Banco de Itália de julho testou transferências de $200 em USDC em dez corredores, incluindo o Brasil, e encontrou custos entre 0,3% e quase 9%, com a própria transferência na blockchain a representar apenas uma parte marginal. O Conselho de Estabilidade Financeira chegou a uma conclusão semelhante em julho, enquadrando o valor das stablecoins a curto prazo em mecanismos híbridos construídos em torno do dinheiro bancário existente. O CEO da Cregis, Shawn Yan, espera que os corretores respondam a nível de arquitetura, mantendo carteiras e controlos de tesouraria internamente sempre que permitido, enquanto encaminham etapas específicas por intermediários licenciados onde as jurisdições o exigem. O cenário otimista é a redução da incerteza jurídica; o cenário pessimista é que a cadeia de liquidação regulamentada elimina a maior parte da eficiência das stablecoins que o Brasil vinha capturando.
Perguntas frequentes
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O que proíbe efetivamente a Resolução 561 do Brasil?
Proíbe stablecoins de liquidar a etapa entre prestadores de eFX regulamentados e as suas contrapartes estrangeiras a partir de 1 de outubro. As transferências internacionais individuais com ativos virtuais continuam permitidas no quadro regulamentar brasileiro.
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Trata-se de uma proibição geral de stablecoins no Brasil?
Não. A resolução visa um canal específico de liquidação usado pelos agregadores eFX. As transferências transfronteiriças individuais com stablecoins continuam legais, e o modelo mais amplo de compensação eFX mantém-se intacto.
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Qual é a dimensão do mercado de stablecoins no Brasil?
A autoridade fiscal do Brasil registou R$1,13 biliões em transações declaradas com stablecoins entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, cerca de 72% de toda a atividade cripto declarada, com a USDT a representar quase 89% desse total de stablecoins.
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Que custos passarão agora os prestadores de eFX a suportar?
Sem a etapa de liquidação em stablecoins, os prestadores encaminham as operações através de transações FX licenciadas e enfrentam o imposto brasileiro sobre transações financeiras mais taxas de bancos correspondentes e da rede SWIFT que a liquidação em stablecoins anteriormente evitava.
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Como se espera que os corretores de pagamentos respondam?
O CEO da Cregis, Shawn Yan, espera uma resposta arquitetónica, não de evasão: manter carteiras e controlos de tesouraria internamente onde permitido, enquanto encaminha etapas específicas por intermediários licenciados onde as jurisdições o exigem.