A Polícia Civil do Rio de Janeiro invadiu um núcleo operacional do Comando Vermelho e descobriu uma central de mineração de cripto com cerca de 30 máquinas a funcionar numa ligação elétrica clandestina a partir de um poste de eletricidade, num terreno aparentemente abandonado no Complexo do Lins. A instalação estava disposta em prateleiras com ventoinhas de alta capacidade, sistemas de exaustão e hardware de monitorização remota — uma configuração que permite a um único operador gerir uma instalação sem estar fisicamente presente e que converte um quilowatt-hora roubado num ativo digital transferível. O G1 noticiou que a polícia está agora a investigar se a facção usou a estrutura para movimentação de dinheiro ou branqueamento, mas a física do bastidor já descreve o modelo: o controlo territorial fornece o espaço, a ligação clandestina elimina a principal variável de custo, e a produção de hash é portátil por definição.
Por que isto importa
A eletricidade é o input estruturante. A 1,5 kW por máquina e 30 rigs, a central consumiria cerca de 45 kW e aproximadamente 32.400 kWh por mês — uma fatura mensal de 6.400 dólares à tarifa residencial brasileira de 0,20 dólares por kWh, custo que a ligação clandestina anula. A ANEEL, regulador elétrico do Brasil, estimou o furto de energia e outras perdas não técnicas em cerca de 2 mil milhões de dólares em 2024, com o Rio entre os estados com maior índice de furto. A central não é, portanto, uma curiosidade marginal; é um caso documentado de crime organizado a tratar a rede como um input gratuito num processo de produção de margens elevadas. A metodologia do Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index trata a eletricidade como uma das maiores variáveis de custo da mineração — elimine-a e a economia unitária muda.
Impacto no mercado
O caso do Rio insere-se num quadro repressivo mais amplo no Brasil. A Folha noticiou a 9 de maio que a Polícia Federal apreendeu 14 milhões de dólares em cripto em 2025, em casos de tráfico de droga, branqueamento e crimes ambientais, e uma operação realizada a 12 de maio em 16 estados executou 165 mandados de busca e apreensão e 71 mandados de prisão dirigidos a facções e branqueamento. O Crypto Crime Report 2026 da Chainalysis descreve a economia ilícita on-chain como tendo construído infraestruturas para ajudar redes transnacionais a obter bens e branquear cripto.
Perguntas frequentes
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O que encontrou a polícia do Rio na operação contra o Comando Vermelho?
A Polícia Civil invadiu um núcleo operacional do CV no Complexo do Lins e descobriu uma central de mineração de cripto com cerca de 30 máquinas a funcionar numa ligação elétrica clandestina a partir de um poste, dispostas em prateleiras com ventoinhas de alta capacidade, exaustão e hardware de monitorização remota.
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Quanta eletricidade consumia a central?
A 1,5 kW por máquina e 30 rigs, a central consumia cerca de 45 kW e aproximadamente 32.400 kWh por mês — uma fatura mensal de 6.400 dólares à tarifa residencial brasileira de 0,20 $/kWh, totalmente evitada graças à ligação roubada.
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O que é o modelo de crime cripto baseado em 'energia roubada'?
Um grupo criminoso usa o controlo territorial para garantir espaço e uma ligação clandestina à rede, eliminando a maior variável de custo da mineração, e depois opera hardware comum para converter eletricidade gratuita em valor digital portátil que pode ser movido ou branqueado.
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Qual é a dimensão do furto de energia no Brasil?
A ANEEL, regulador elétrico do Brasil, estimou o furto de energia e outras perdas não técnicas em cerca de 2 mil milhões de dólares em 2024, com o Rio de Janeiro entre os estados com os níveis mais elevados de furto de eletricidade.
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Este modelo é exclusivo do Brasil?
Não. A utility nacional da Malásia, Tenaga Nasional, perdeu mais de mil milhões de dólares com uso ilegal de energia por mineradores de cripto entre 2020 e agosto de 2025, o que motivou operações, instalação de contadores inteligentes e bases de dados de instalações suspeitas.