David Mercer, CEO do LMAX Group, operador de plataformas de negociação institucional sediado em Londres, defende que a próxima fase de crescimento dos ativos digitais será conquistada ao adotar estruturas de mercado centralizadas em vez de as rejeitar.
"A centralização resolve o problema de coordenação", disse Mercer à CoinDesk. "Compradores e vendedores obtêm os melhores preços ao participar num único mercado central." O seu argumento: a indústria passou uma década a otimizar a descentralização na teoria, mas quando a volatilidade chega, os participantes do mercado gravitam em torno de plataformas e mecanismos de liquidação de confiança, independentemente da arquitetura subjacente.
O dado em que Mercer mais se apoia é o fosso na infraestrutura de crédito e compensação. O negócio central de FX da LMAX acabou de registar o melhor primeiro trimestre de sempre, com cerca de 50 mil milhões de dólares em volume médio diário — um valor que existe porque esse mercado assenta em relações profundas de crédito, corretagem principal e compensação. Oito anos após o lançamento da LMAX Digital, afirma que o mesmo aparelho continua a faltar nas cripto, e a sua ausência é o maior entrave à entrada de capital institucional.
Por que motivo importa
O gargalo que Mercer aponta é a mobilidade das garantias. As instituições operam hoje dentro de jardins murados — ativos tradicionais, ativos digitais e stablecoins presos em ambientes regulatórios e operacionais separados. A volatilidade macroeconómica do primeiro trimestre expôs o custo: investidores que rodavam entre ações, ouro e bitcoin não conseguiam reafetar, em tempo real, garantias em moeda fiduciária depositadas em plataformas centralizadas a oportunidades noutros mercados.
"O dinheiro digital, sejam stablecoins ou ativos tokenizados, acabará por permitir uma gestão de garantias muito mais eficiente", afirmou Mercer. A implicação é que a liquidação atómica e os rails de entrega contra pagamento são necessários, mas não suficientes — os mercados globais de capital funcionam com alavancagem e crédito, e os ativos digitais não competirão à escala enquanto essa camada não for reconstruída de forma nativa.
Impacto no mercado
As próprias conversas de Mercer com gestores de ativos esboçam a curva da procura. Cerca de 20% esperam começar a negociar ativos digitais diretamente em breve, mas mais de 40% estão a estudar ativamente pagamentos, liquidação e gestão de garantias onchain.
Perguntas frequentes
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Quem é David Mercer e por que razão a sua visão sobre a centralização das cripto é relevante?
Mercer é CEO do LMAX Group, operador sediado em Londres de plataformas de negociação institucional para FX e ativos digitais. A sua visão é relevante porque a LMAX serve alguns dos maiores bancos, gestores de ativos e empresas de trading do mundo, dando-lhe visibilidade direta sobre os vazios de infraestrutura que o…
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Qual é o argumento central de Mercer sobre a centralização nas cripto?
Mercer defende que a centralização resolve o problema de coordenação — compradores e vendedores obtêm os melhores preços ao participar num único mercado central. Acredita que a indústria se desequilibrou com a teoria da descentralização, negligenciando a infraestrutura de crédito, compensação e garantias que sustenta…
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Qual é o "problema das garantias" identificado por Mercer nos ativos digitais?
As instituições operam hoje dentro de jardins murados, com ativos tradicionais, ativos digitais e stablecoins presos em ambientes regulatórios e operacionais separados. As garantias não circulam livremente entre eles, o que reduz a eficiência de capital e limita a participação — sobretudo em momentos de volatilidade,…
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Que dados citou Mercer sobre a procura institucional por ativos digitais?
Nas suas conversas com gestores de ativos, cerca de 20% esperavam negociar ativos digitais diretamente em breve, mais de 40% estudavam pagamentos e gestão de garantias onchain, 60% esperavam oferecer serviços de ativos digitais, 91% já lidavam com stablecoins, e 75% continuavam a considerar a custódia um requisito…
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O que disse Mercer ser o verdadeiro ponto de inflexão para os ativos digitais?
Mercer afirmou que o verdadeiro ponto de inflexão dos ativos digitais não será o preço do bitcoin — será o aparecimento de uma camada de garantias altamente eficiente e interoperável, que ligue as finanças tradicionais aos mercados onchain, com dinheiro tokenizado e infraestrutura de crédito de qualidade institucional…
CoinDesk