O Citi afirmou a clientes esta semana que o maior problema do Bitcoin não é a primeira venda de bitcoin da Strategy em anos, mas sim a ausência de compradores novos. O analista Alex Saunders escreveu numa nota de terça-feira que os fluxos dos ETF spot de bitcoin representam cerca de 45% da variação semanal dos retornos do BTC, e que esses fluxos passaram a negativos — deixando o mercado sem a procura marginal em que se apoiava.
O Citi enquadrou a venda de uma pequena parte das reservas de bitcoin da Strategy como parte de um plano de otimização fiscal previamente divulgado, e não como uma mudança estratégica, aliviando as preocupações de que a doutrina de "comprar e manter" de Michael Saylor tivesse sido posta em causa. A leitura do banco é que as empresas com tesouraria em ativos digitais não são o fator decisivo por trás da fraqueza recente.
Por que importa
A leitura estrutural do Citi inverte a narrativa que dominou as manchetes desta semana. A venda da Strategy — mesmo tratando-se de uma quantia simbólica face à sua posição superior a 500.000 BTC — ganhou as manchetes, mas o modelo do Citi coloca os fluxos dos ETF como a variável explicativa dominante dos movimentos semanais de preço. Com fluxos negativos e a perspectiva de um projeto de lei de estrutura de mercado de criptoativos nos EUA a esbater-se, o banco vê o sentimento a manter-se contido na ausência de progressos regulatórios ou de um renovado receio de tensão orçamental.
O ângulo legislativo é o catalisador que o Citi está agora a desvalorizar. Um projeto de lei de estrutura de mercado que esclarecesse custódia, negociação e regras para stablecoins tem sido o mecanismo de integração de capital institucional mais citado em 2026; com as suas hipóteses a diminuírem, a procura que o mercado estava a antecipar para o segundo semestre parece menos provável de chegar a tempo.
Impacto no mercado
O Bitcoin era negociado perto dos $67,200 na altura do relatório, prolongando um período de underperformance face às ações que voltou a colocar a questão de saber se o BTC se comporta como um ativo tecnológico pró-risco ou como uma cobertura macro. A abordagem do Citi sugere que, por agora, a resposta não é nenhuma das duas: a formação do preço está a ser determinada sobretudo pelo ritmo de criações e resgates nos ETF, com as mesas de tesouraria como input secundário e os fluxos de retalho tradicionais demasiado finos para absorver o desfasamento.
Em termos de posicionamento, o relatório implica que o próximo movimento depende menos das manchetes sobre compradores corporativos e mais da direção dos fluxos dos ETF e da agenda legislativa em Washington.
Perguntas frequentes
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O que disse concretamente o Citi sobre a venda de bitcoin da Strategy?
O Citi enquadrou a venda como parte de um plano de otimização fiscal previamente divulgado na conferência de resultados do primeiro trimestre da Strategy, e não como uma mudança estratégica que se afaste da abordagem de "comprar e manter" de Michael Saylor.
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Quanto é que os fluxos dos ETF spot de bitcoin explicam os movimentos do preço do BTC?
O analista do Citi Alex Saunders estimou que os fluxos dos ETF spot de bitcoin representam cerca de 45% da variação semanal dos retornos do BTC, o que os torna o indicador de alta frequência preferido pelo banco para medir a adoção pelos investidores.
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Os fluxos dos ETF estão neste momento positivos ou negativos?
O Citi afirmou que os fluxos recentes dos ETF spot de bitcoin passaram a negativos, o que o banco associa a um sentimento contido e à falta de nova procura por parte dos investidores.
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Porque é que o projeto de lei de estrutura de mercado dos EUA é relevante para o bitcoin?
Um projeto de lei de estrutura de mercado que esclareça custódia, negociação e regras para stablecoins tem sido visto como o principal catalisador de integração de capital institucional este ano, e o Citi considera agora que as suas hipóteses de aprovação estão a diminuir.
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A que preço estava o bitcoin quando o Citi publicou o relatório?
O bitcoin era negociado perto dos $67,200 na altura da publicação, prolongando um período de underperformance face às ações.
CoinDesk