Wall Street passou de executar projetos-piloto de blockchain em modo de prova de conceito a tratar as cadeias públicas como infraestrutura de produção, segundo o cofundador da Etherealize, Vivek Raman. Numa entrevista à CoinDesk, afirmou que a mudança ao longo dos últimos 18 meses foi decisiva: "Há um ano e meio era prova de conceito, meter só a ponta do pé. Agora é: temos de saltar de cabeça e usar as cadeias públicas tal como todos usamos a internet."
A tese de Raman é que a Ethereum está numa fase de transição — a infraestrutura está, no essencial, construída, mas a vaga de ações, obrigações, imobiliário e fundos de investimento tokenizados ainda não chegou à cadeia a uma escala relevante. Defende que o atraso se deve aos longos ciclos institucionais de venda, e não à tecnologia, e que a atual dominância da Ethereum em stablecoins e liquidez criou um efeito de rede que puxa as próximas classes de ativos para os mesmos trilhos.
Por que importa
A moldura conceptual importa porque reformula o debate entre preço do ETH e fundamentais que tem frustrado os detentores. Se Raman tiver razão, o desfasamento não é sinal de adoção fraca — é um artefacto de timing de ciclos plurianuais de aquisição institucional que vão atrás de uma camada de liquidação já construída. O papel da Ethereum Foundation também entra na equação: Raman defendeu que a recente disponibilidade da fundação para recuar é uma mais-valia, não uma falha, porque "o substrato do sistema financeiro não pode ter uma entidade a controlá-lo".
Impacto no mercado
A leitura para o ETH é que a descoberta de preço vai atrás da migração onchain em vez de a anteceder. Raman empurrou a moldura de longo prazo: "Quando olharmos para as manchetes em retrospetiva, vai ser: o momento internet do sistema financeiro global aconteceu na Ethereum." Isto, por si só, não mexe na tape de hoje, mas estabelece a fasquia do que invalidaria a tese — uma inversão sustentada na migração de ativos tokenizados, ou capital institucional visivelmente a contornar o hub de liquidez da Ethereum. Acompanhar os fluxos de stablecoins e de fundos tokenizados nos próximos trimestres será o sinal precoce.
Perguntas frequentes
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Quem é Vivek Raman e o que é a Etherealize?
Vivek Raman é cofundador da Etherealize, uma empresa cujo objetivo declarado é levar a Ethereum a Wall Street. Falou à CoinDesk sobre a transição de pilotos de blockchain para implementações em produção na Ethereum.
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Porque é que o preço do ETH ainda não refletiu a crescente adoção institucional?
Raman atribui o desfasamento a uma questão de timing. Diz que o atraso se deve aos longos ciclos institucionais de venda, e não à tecnologia — a infraestrutura está, no essencial, pronta, mas os ativos tokenizados ainda não migraram para a cadeia a uma escala relevante.
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Que classes de ativos é que as empresas de Wall Street estão a migrar para a Ethereum?
Para além das stablecoins, Raman disse que a conversa está a alargar-se a ações, obrigações, imobiliário e fundos de investimento tokenizados, com a liquidez existente da Ethereum e a sua dominância em stablecoins a funcionarem como fator de atração.
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O que disse Raman sobre a Ethereum Foundation?
Raman defendeu que a disponibilidade da fundação para recuar é uma mais-valia, não uma falha, porque o substrato do sistema financeiro não pode ser controlado por uma única entidade. Disse que a sua função é defender valores centrais e entregar trabalho de longo prazo, como provas de conhecimento zero e resistência…
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O que invalidaria a tese de Raman sobre a Ethereum?
Uma inversão sustentada na migração de ativos tokenizados para a Ethereum, ou capital institucional visivelmente a contornar o seu hub de liquidez, quebraria a moldura de que o preço do ETH vai atrás de uma vaga de migração onchain já construída.
CoinDesk