A entidade reguladora australiana dos mercados financeiros, ASIC, está a consultar o setor sobre regras mais exigentes para exchanges e custodiantes de criptomoedas. Entre as propostas está um modelo de capital com um mínimo de A$14 milhões ou 10% da receita média, consoante o valor mais elevado. As propostas abrangem também salvaguardas para os ativos dos clientes, controlos de negociação e licenciamento, antes da entrada em vigor do novo regime em 2027.
A ASIC apresentou três possíveis modelos de capital. No primeiro, o recurso a custódia independente elegível poderia reduzir o mínimo inicial para A$200.000, ficando o requisito final dependente do valor dos ativos e da receita. Outro modelo estabelece um mínimo de A$7 milhões para plataformas que detenham apenas ativos que não sejam produtos financeiros. Um terceiro parte de A$2 milhões, com requisitos adicionais consoante os ativos detidos, a receita e as atividades da empresa.
Porque é importante
As opções poderão tornar os acordos de custódia uma decisão com grande impacto nos custos, sobretudo para as exchanges de menor dimensão. Para beneficiar do limite mais baixo no primeiro modelo, uma plataforma teria de colocar todos os ativos subjacentes junto de custodiantes externos elegíveis e obter garantias escritas sobre a situação financeira destes. A exchange continuaria responsável pela supervisão desses acordos.
A ASIC propõe também regras mais rigorosas para a segregação e reconciliação dos ativos dos clientes, relatórios trimestrais sobre a organização das carteiras, divulgação dos riscos de custódia e controlos sobre a utilização dos ativos confiados à plataforma. Para os usos permitidos, as plataformas teriam de obter autorização expressa dos clientes e proteger os interesses destes em caso de insolvência.
Impacto no mercado
As propostas para a negociação incluem requisitos de melhor execução para alguns intermediários, acesso a pelo menos duas fontes adequadas de liquidez e limites à negociação por conta própria das exchanges nas suas plataformas, com algumas exceções. A ASIC propõe ainda proibir incentivos destinados a favorecer determinados tokens e restringir o uso de certas stablecoins de partes relacionadas como capital regulamentar.
A ASIC afirma ter recebido mais de 140 pedidos de serviços financeiros relacionados com ativos digitais ao abrigo do quadro atual, incluindo mais de 110 durante um período de dispensa transitória que terminou em setembro. O prazo para enviar comentários sobre as propostas termina a 27 de novembro.
Perguntas frequentes
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Que requisito de capital está a ASIC a ponderar para algumas exchanges de criptomoedas?
Um dos modelos propostos exige ativos tangíveis líquidos de, pelo menos, A$14 milhões ou 10% da receita média, consoante o valor mais elevado, para operadores que não reúnam as condições para beneficiar da redução associada à custódia por terceiros.
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Como poderia a custódia independente alterar o requisito de capital de uma exchange?
As plataformas elegíveis poderiam ter um requisito inicial de A$200.000 ao abrigo de um dos modelos, ficando o limite efetivo também dependente do valor dos ativos e da receita. Teriam de colocar todos os ativos subjacentes junto de custodiantes externos elegíveis.
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Que outros modelos de capital propôs a ASIC?
As alternativas incluem um mínimo de A$7 milhões para plataformas que detenham apenas ativos que não sejam produtos financeiros e um mínimo inicial de A$2 milhões, com requisitos adicionais ligados aos ativos detidos, à receita e às atividades.
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Que salvaguardas para os ativos dos clientes incluem as propostas?
A ASIC propõe regras mais rigorosas para a segregação e reconciliação, relatórios trimestrais sobre os acordos relativos às carteiras, divulgação dos riscos de custódia e controlos à utilização de ativos confiados à plataforma. As plataformas também teriam de obter autorização expressa dos clientes para os usos…
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Quando se esperam os comentários e as orientações finais?
O prazo para apresentar comentários às propostas termina a 27 de novembro. A ASIC prevê publicar as orientações finais e os instrumentos regulamentares em março de 2027, antes da entrada em vigor do regime de licenciamento nesse ano.