A Reserva Federal divulgou na quinta-feira uma proposta de regra de 130 páginas que obriga os emissores de stablecoins a manter um programa de identificação de clientes — a primeira grande regulamentação ao abrigo do GENIUS Act, promulgado já este ano. Cinco membros do banco central votaram a favor da proposta, com a abstenção do novo presidente da Fed, Kevin Warsh. O Office of the Comptroller of the Currency, o FDIC e a National Credit Union Association juntaram-se à Fed na regulamentação conjunta.
A regra alinha os emissores de stablecoins com os padrões do Bank Secrecy Act que as instituições financeiras tradicionais já seguem, levando as obrigações de tipo CIP — verificação da identidade do cliente, manutenção de registos e reporte de atividades suspeitas — diretamente para o setor do dólar digital. O OCC, o FDIC e a NCUA assinaram como co-emissores, o que significa que o patamar de conformidade se estende a todos os supervisores bancários federais, e não apenas à Fed.
Por que é relevante
O governador da Fed Michael Barr votou a favor da proposta, mas aproveitou a sua declaração para assinalar uma lacuna bem maior: as transações no mercado secundário. "Embora alguns prestadores de serviços de ativos digitais estejam sujeitos a requisitos de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo nas suas jurisdições de origem, é demasiado fácil para os agentes maliciosos contornar estas restrições e operar sem ser detetado ao transacionar em ativos digitais", afirmou Barr. Traduzindo — a regra fecha a porta ao emissor, mas as stablecoins circulam por bolsas, mesas OTC e infraestruturas DeFi que a proposta ainda não toca.
O GENIUS Act foi, por si só, a vitória legislativa pela qual a indústria fez lobby durante dois anos. Esta regulamentação é onde essa vitória se torna operacional, e a opção de ancorar a linguagem no Bank Secrecy Act sinaliza que os reguladores tratam as stablecoins conformes como adjacentes à banca, e não como um sistema financeiro paralelo.
Impacto no mercado
A leitura de curto prazo é que os emissores — Tether, Circle e os novos emitentes bancários que se posicionam ao abrigo do GENIUS — passam a ter um patamar federal de KYC definido sobre o qual construir, o que reduz a ambiguidade jurídica, mas aumenta os custos de conformidade.
Perguntas frequentes
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O que exige, na prática, a nova regra KYC da Fed para stablecoins?
A proposta de 130 páginas obriga os emissores de stablecoins a manter um programa de identificação de clientes alinhado com os padrões do Bank Secrecy Act usados pelos bancos — verificação de identidade, manutenção de registos e reporte de atividades suspeitas. O OCC, o FDIC e a NCUA co-emitiram a regra.
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Porque é que a regra está a ser divulgada agora?
A regulamentação implementa o GENIUS Act, a lei das stablecoins promulgada no início de 2025. A proposta da Fed é a primeira grande regra operacional ao abrigo desse diploma, definindo como funcionará, na prática, a conformidade ao nível do emissor.
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Porque é que o presidente da Fed, Kevin Warsh, se absteve na votação?
Warsh, o presidente recém-empossado da Fed, absteve-se na votação de 5-0. É o seu primeiro afastamento público do Board desde que assumiu o cargo. A Fed não indicou um motivo no comunicado; a própria abstenção é o sinal que vale a pena acompanhar.
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Sobre o que alertou o governador Michael Barr?
Barr votou a favor da proposta, mas disse que o GENIUS Act não vai longe o suficiente quanto ao risco de financiamento ilícito nas transações do mercado secundário — as bolsas, mesas OTC e infraestruturas DeFi por onde as stablecoins efetivamente circulam após a emissão.
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Como é que isto afeta a Tether e a Circle?
A Circle, emitente da USDC, e emitentes offshore como a Tether enfrentam um patamar federal de KYC definido ao abrigo da proposta. Para os emitentes norte-americanos conformes, isso reduz a ambiguidade jurídica, mas aumenta os custos de conformidade; os emitentes offshore que optam por sair da supervisão dos EUA não…
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