A Comissão Europeia está a auscultar as partes interessadas até 30 de setembro sobre uma eventual revisão do Regulamento dos Mercados de Criptoativos (MiCA), poucas semanas depois de o quadro ter atingido plena vigência, segundo uma notícia da Euronews que cita fontes conhecedoras do processo. A revisão teria como alvo duas áreas em rápida evolução que as regras originais não cobriram por completo: a ascensão dos valores mobiliários tokenizados e os emissores de stablecoins sediados fora da UE.
O MiCA entrou em vigor em dezembro de 2024, com um período de transição para os prestadores de serviços de criptoativos a correr até 1 de julho de 2026. À data desse prazo, apenas 244 empresas tinham sido autorizadas como prestadores de serviços de criptoativos (CASPs) ao abrigo do regime. A Comissão abriu uma consulta formal em maio, perguntando se o quadro precisa de ser atualizado, e a nova auscultação sinaliza que a tokenização está agora firmemente em cima da mesa.
Por que razão importa
As ações tokenizadas são o ponto de pressão mais evidente. As ações onchain somam já 2,16 mil milhões de dólares em valor de mercado, uma subida de quase 45% face ao mês anterior, segundo a RWA.xyz, e várias bolsas dentro e fora da UE começaram a oferecê-las. O MiCA, tal como está escrito, regula as stablecoins, mas não os valores mobiliários tokenizados, que continuam sob a legislação europeia de valores mobiliários em vigor. A Comissão está também a ponderar como lidar com emissores de stablecoins fora da UE que operam dentro do bloco, uma questão agravada pelo GENIUS Act dos EUA, que legalizou no verão passado as stablecoins de pagamento comlastro integral.
«Reabrir o dossier parece inevitável nesta fase, não só à luz da posição expressa por várias instituições europeias (nomeadamente o BCE), mas também para responder aos mais recentes desenvolvimentos regulatórios e tecnológicos a nível mundial», afirmou um diplomata europeu não identificado à Euronews.
Impacto no mercado
Para as plataformas autorizadas na UE, uma revisão em 2027 poderá redesenhar o perímetro em torno dos ativos do mundo real tokenizados que hoje vivem numa zona cinzenta. As categorias já previstas pelo MiCA, tokens de dinheiro eletrónico (EMT) e tokens referenciados a ativos (ART), impõem já um lastro de 100% e regras de liquidez apertadas; trazer os valores mobiliários tokenizados para um regime único definiria um padrão comum para produtos que bolsas como a Coinbase e a Robinhood estão agora a lançar onchain.
Perguntas frequentes
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O que é o MiCA e quando entrou em plena vigência?
O MiCA é o quadro regulamentar abrangente da UE para criptoativos, cobrindo emissão, negociação, custódia e serviços conexos. Entrou em vigor em dezembro de 2024, com um período de transição para os prestadores de serviços de criptoativos a correr até 1 de julho de 2026.
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Por que razão está a Comissão Europeia a rever o MiCA tão cedo após a plena vigência?
Bruxelas defende que os mercados de ativos digitais e o enquadramento regulatório global evoluíram bastante desde que o MiCA foi desenhado. A Comissão está a auscultar as partes interessadas até 30 de setembro sobre a necessidade de atualizar o quadro, com a tokenização e os emissores de stablecoins fora da UE como…
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O que abrange atualmente o MiCA quanto a stablecoins?
O MiCA cria duas categorias de stablecoins: os tokens de dinheiro eletrónico (EMT), indexados a uma única moeda fiduciária, e os tokens referenciados a ativos (ART), indexados a cabazes de ativos. Ambos exigem lastro de 100% em ativos seguros, proíbem yield, e os ART enfrentam requisitos mais apertados de capital,…
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Qual é neste momento a dimensão do mercado de ações tokenizadas?
As ações tokenizadas onchain somam 2,16 mil milhões de dólares em valor de mercado, uma subida de quase 45% face ao mês anterior, segundo a RWA.xyz. A categoria não é diretamente regulada pelo MiCA e continua, para já, sob a legislação europeia de valores mobiliários em vigor.
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Como se insere o GENIUS Act dos EUA na revisão da UE?
O Presidente Trump promulgou o GENIUS Act no verão passado, legalizando nos EUA a emissão de stablecoins de pagamento com lastro integral. Os responsáveis europeus invocam esse diploma e outros desenvolvimentos internacionais como parte do argumento para revisitar o MiCA, sobretudo no que toca aos emissores de…
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